Origem do Halloween: história e como é celebrado

Como tudo começou

A origem do Halloween remonta a mais de dois mil anos e nasceu junto aos povos celtas, que viviam onde hoje ficam Irlanda, Reino Unido e norte da França. Eles celebravam o Samhain (pronuncia-se “sou-in”), festival que marcava o fim da colheita e a chegada do inverno, entre 31 de outubro e 1º de novembro. Acreditava-se que, nessa noite, a fronteira entre o mundo dos vivos e o dos mortos ficava tênue, e os espíritos podiam circular pela Terra. Para se proteger, as pessoas acendiam grandes fogueiras e usavam fantasias feitas de peles e cabeças de animais, tentando confundir as almas errantes.

Com a expansão do Império Romano e, depois, do cristianismo, a festa foi se misturando a outras tradições. No século VIII, a Igreja Católica fixou o Dia de Todos os Santos em 1º de novembro. A véspera passou a ser chamada de All Hallows’ Eve (“véspera de todos os santos”), expressão que com o tempo se encurtou para Halloween. O dia 2 de novembro foi dedicado aos fiéis defuntos, o que reforçou a ligação da data com a memória dos mortos.

A festa chegou aos Estados Unidos com força no século XIX, levada por milhões de imigrantes irlandeses que fugiam da Grande Fome (1845-1852). No país novo, as tradições se mesclaram às de outros povos e ganharam um caráter mais comunitário e divertido. A abóbora, abundante na América, substituiu o nabo que os irlandeses entalhavam como lanterna. Nascia a jack-o’-lantern, ligada à lenda de Stingy Jack, um homem avarento que enganou o diabo e ficou condenado a vagar com uma brasa dentro de um nabo.

Como é celebrado nos EUA

Hoje o Halloween é uma das datas mais lucrativas do calendário americano, movimentando bilhões de dólares em fantasias, doces e decoração. O ponto alto é a noite de 31 de outubro, com o famoso trick-or-treat: crianças fantasiadas percorrem o bairro, tocam as campainhas e dizem “trick or treat!” em troca de doces. Quem não oferece nada corre o risco, na brincadeira, de levar uma “travessura”.

As casas ganham teias de aranha falsas, esqueletos, lápides de isopor e abóboras iluminadas. Muitas famílias visitam fazendas para escolher abóboras, enfrentam labirintos em plantações de milho e passeiam por haunted houses (casas mal-assombradas). Escolas e empresas promovem concursos de fantasias, e os adultos aderem com festas temáticas e maratonas de filmes de terror. As fantasias mais comuns incluem bruxas, vampiros, fantasmas, zumbis e personagens do cinema e dos quadrinhos.

Como a festa acontece pelo mundo

Do século XX em diante, o cinema, a TV e a música ajudaram a espalhar o Halloween para além das fronteiras americanas.

Canadá: a celebração é praticamente idêntica à americana, com trick-or-treat, decorações e festas.

Irlanda e Reino Unido: a Irlanda, berço do Samhain, ainda mantém tradições antigas, como fogueiras e o barmbrack, um pão doce com objetos escondidos usados em brincadeiras de adivinhação. A cidade de Derry realiza um dos maiores festivais de Halloween da Europa, com desfiles e shows. No Reino Unido, a data convive com a Noite de Guy Fawkes, em 5 de novembro, mas a prática de pedir doces vem crescendo.

México: o país tem o Día de los Muertos (1º e 2 de novembro), uma celebração própria, de origem indígena e católica. As famílias montam altares com fotos, flores de cempasúchil e comidas favoritas dos falecidos. Não é o Halloween, mas as duas festas hoje coexistem, especialmente entre os jovens.

Japão: o país adotou o Halloween sem raízes religiosas, como festival de fantasias e cosplay. Os desfiles em Shibuya (Tóquio) e Kawasaki e as festas nos parques temáticos atraem multidões.

Austrália e Nova Zelândia: a festa vem crescendo, mas acontece na primavera, e parte da população a vê como importação comercial.

Outros países da Europa: França, Alemanha, Espanha e Itália aderiram nas últimas décadas, principalmente por influência comercial, com festas em bares, escolas e parques.

Filipinas: a tradição local é o Undas, quando as famílias visitam cemitérios, limpam os túmulos, acendem velas e passam o dia com os parentes falecidos. O Halloween moderno aparece em paralelo, sobretudo nos shoppings.

Brasil: a festa foi popularizada por escolas de inglês, shoppings, bares e redes sociais. Aqui ela divide espaço com o Dia de Finados (2 de novembro) e com iniciativas que defendem o Dia do Saci, em 31 de outubro, como alternativa de folclore nacional. Costuma ser mais forte em festas de adolescentes e adultos e em eventos escolares.

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Glossário!

  1. Trick or treat: “doce ou travessura”; frase dita ao pedir doces de porta em porta.
  2. Costume: fantasia.
  3. Jack-o’-lantern: abóbora entalhada com um rosto e iluminada por dentro.
  4. Haunted house: casa mal-assombrada, ou atração de terror.
  5. Ghost: fantasma.
  6. Witch: bruxa.
  7. Vampire: vampiro.
  8. Zombie: zumbi, morto-vivo.
  9. Skeleton: esqueleto.
  10. Candy: doces, balas.
  11. Pumpkin patch: plantação de abóboras onde se pode escolher e colher a sua.
  12. Spooky: assustador, arrepiante (de forma leve).
  13. Creepy: estranho e perturbador.
  14. Cobweb: teia de aranha, muito usada na decoração.
  15. Broomstick: vassoura de bruxa.
  16. Cauldron: caldeirão.
  17. Haunted: assombrado.
  18. Scary: assustador.
  19. Costume party: festa à fantasia.
  20. Happy Halloween!: “Feliz Halloween!”; saudação usada na data.